BROMOPRIDA X METOCLOPRAMIDA: QUAL A DIFERENÇA? voltar
Bromoprida e metoclopramida são medicamentos da mesma classe: antieméticos e procinéticos que combatem náuseas e vômitos e aceleram o esvaziamento do estômago. Servem para as mesmas situações e agem do mesmo modo.
A principal diferença está no perfil de segurança: a metoclopramida penetra mais no sistema nervoso central e está mais associada a efeitos neurológico, com restrições de uso mais rígidas. Nesse caso, a escolha entre as duas é do médico.
O que são a bromoprida e a metoclopramida?
A bromoprida e metoclopramida pertencem ao grupo dos procinéticos com ação antiemética.
Ambas funcionam como antagonistas do receptor de dopamina (D2), assim ao bloquear a dopamina no trato gastrointestinal e no cérebro, aumentam a força das contrações do estômago, relaxam o esfíncter pilórico e aceleram o esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal.
Esse mecanismo é o que combate a náusea e o vômito e melhora a motilidade digestiva. Por isso, as duas substâncias são consideradas muito parecidas.
Para que servem a bromoprida e a metoclopramida?
As indicações são praticamente as mesmas para os dois medicamentos:- náuseas e vômitos de origem central ou periférica (cirurgias, infecções, distúrbios metabólicos ou provocados por outros medicamentos);
- refluxo gastroesofágico;
- dispepsia funcional (má digestão);
- distúrbios da motilidade do trato gastrointestinal, como a gastroparesia;
- apoio em exames e procedimentos do aparelho digestivo.
Qual a diferença entre bromoprida e metoclopramida
Como a classe, o mecanismo e as indicações coincidem, as diferenças aparecem sobretudo em três pontos: o perfil neurológico, as restrições de uso e a disponibilidade no mercado.A metoclopramida atravessa mais a barreira hematoencefálica, o que a associa mais fortemente a efeitos extrapiramidais (movimentos involuntários, distonia, inquietação) e à discinesia tardia quando usada por muito tempo, principalmente em idosos.
Por causa disso, órgãos reguladores restringiram seu uso, portanto, o tratamento deve ser de curta duração (em geral, no máximo cinco dias) e há limites de dose e de idade.
A bromoprida também pode causar esses efeitos, mas costuma ser posicionada como tendo ação central menor, ainda que a comparação direta entre as duas tenha evidência limitada.
Ela é usada sobretudo no Brasil, enquanto a metoclopramida tem uso mais amplo no mundo e em mais indicações.
Tabela comparativa: bromoprida x metoclopramida
Aspecto | Bromoprida | Metoclopramida |
| Classe | Procinético e antiemético (antagonista D2) | Procinético e antiemético (antagonista D2) |
| Para que serve | Náusea, vômito, refluxo, dispepsia, motilidade do TGI | As mesmas indicações |
| Ação no sistema nervoso | Efeitos centrais possíveis, geralmente menores | Maior penetração no SNC; mais associada a efeitos extrapiramidais |
| Restrições de uso | Uso sob prescrição e com cautela | Restrições mais rígidas: duração curta (até ~5 dias), limites de dose e idade |
| Disponibilidade | Usada principalmente no Brasil | Uso mundial, em mais indicações |
| Formas | Comprimido, cápsula, gotas e injetável | Comprimido, solução, gotas e injetável |
| Nomes comerciais | Digesan, Plamet (e genéricos) | Plasil, Eucil (e genéricos) |
Como a bromoprida e a metoclopramida são usadas
Os dois medicamentos existem em versões orais (comprimidos, cápsulas ou gotas) e em versão injetável (intramuscular ou intravenosa), esta última de uso hospitalar, aplicada por um profissional de saúde.A dose, a via e o tempo de tratamento são definidos pelo médico, conforme o quadro. Vale reforçar que, no caso da metoclopramida, o uso deve ser o mais curto possível para reduzir o risco de efeitos neurológicos.
Contraindicações e cuidados
Os cuidados são semelhantes para as duas substâncias:- situações em que estimular o intestino é perigoso: hemorragia gastrointestinal, obstrução mecânica ou perfuração intestinal;
- feocromocitoma (tumor que pode causar crise hipertensiva);
- alergia a qualquer das substâncias ou aos componentes da fórmula;
- epilepsia ou uso de outros medicamentos que causam efeitos extrapiramidais;
- histórico de discinesia tardia ou reação distônica à bromoprida ou à metoclopramida;
- crianças menores de 1 ano, pelo risco de agitação, irritabilidade e convulsões.
Vale lembrar que movimentos involuntários, secreção de leite (galactorreia) e outras reações também podem ocorrer e devem ser comunicados ao médico.
Conclusão: qual é melhor, bromoprida ou metoclopramida?
Não existe um medicamento melhor. Como as duas têm eficácia parecida para náusea, vômito e motilidade, a escolha depende da situação clínica, do perfil do paciente, do tempo de tratamento previsto e da avaliação médica.Mas de modo geral, evita-se o uso prolongado de ambas. No caso da metoclopramida, o tratamento curto é uma recomendação formal. A decisão sempre cabe ao prescritor.
Bromoprida e metoclopramida precisam de receita?
Sim. As duas são medicamentos de venda sob prescrição médica (tarja vermelha) e não devem ser usadas por conta própria, justamente pelo risco de efeitos neurológicos e pelas contraindicações envolvidas.
Conteúdo informativo, com revisão técnica de Rafael Garcia Pires de Araújo - CRF nº 36088. Este texto não substitui a orientação de um médico ou farmacêutico; em caso de dúvida, consulte um profissional de saúde. A Hospitalar Distribuidora fornece medicamentos injetáveis e correlatos a clínicas, hospitais e profissionais de saúde.
Fontes: bulas profissionais da bromoprida e da metoclopramida aprovadas pela Anvisa; literatura farmacológica sobre procinéticos e antieméticos.
